Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Bento XVI - Uma bênção para a Igreja e a Humanidade.

"Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples, humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o facto de que o Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio em vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante.
O Senhor nos ajudará. Maria, sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado."

Papa Bento XVI


Quem é o Papa Bento XVI?

O cardeal alemão Joseph Ratzinger, que completou 80 anos no 16 de abril, foi escolhido o novo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana em substituição a João Paulo II. O decano dos cardeais foi considerado o "braço direito" de seu antecessor nas questões doutrinárias e deve dar continuidade aos trabalhos de internacionalização do pontificado anterior.

O teólogo alemão foi durante 23 anos Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano.

O cardeal começou a ganhar atenção ao chegar a Roma, em 1962, como teólogo conselheiro do cardeal Joseph Frings, de Colônia, Alemanha, no Segundo Concílio do Vaticano. Aos 35 anos se converte em uma espécie de referência da teologia. Mas foi em 1968 que Ratzinger ganhou destaque, quando travou uma luta ferrenha contra o marxismo e o ateísmo, que cresciam entre os jovens.

Em várias ocasiões, Ratzinger declarou que gostaria de se aposentar em uma vila na Baviera e se dedicar a escrever livros. Mas, recentemente, disse a amigos que estava pronto para "aceitar qualquer responsabilidade que Deus colocasse sobre ele".

Depois da morte de João Paulo II, no dia 2 de abril, Ratzinger deixou sua função como encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé. O cardeal se comunica em dez línguas e recebeu sete doutorados honorários. É considerado um excelente pianista, e tem preferência por obras de Beethoven (1770-1827). Ratzinger é o oitavo sumo pontífice alemão do Vaticano. Além de um fã-clube na internet, é possível encontrar um site dos "Ratzinger boys" (jovens seguidores do cardeal).

Currículo de Bento XVI

O cardeal nasceu em um Sábado de Aleluia em Marktl am Inn, na Baviera, em 16 de Abril de 1927, e foi batizado no mesmo dia. Filho de um policial, Ratzinger viajou por muitas cidades devido às intermináveis transferências de local de trabalho impostas a seu pai.

Em Dezembro de 1932, devido às críticas abertas do pai de Ratzinger contra os nazis, sua família foi obrigada a se mudar para Auschau am Inn, nos alpes da Baviera. Cinco anos mais tarde, com a aposentadoria de seu pai, a família de Ratzinger se mudou para Hufschlag, nos arredores da cidade de Traunstein (Baviera), onde Ratzinger passou a maior parte de sua adolescência.

Ratzinger começou a estudar latim e grego ainda no ginásio. Em 1939, aos 12 anos, dá o primeiro passo para sua carreira eclesiástica e entra para o pequeno seminário de Traunstein.

Quatro anos mais tarde Ratzinger e seus colegas de seminário foram convocados para o Flak [corporação antiaérea], responsável pela protecção de uma fábrica da BMW em Munique, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda assim, continua frequentando as aulas no Maximilians-Gymnasium (Munique) três vezes por semana.

Em Setembro de 1944, quando atingiu a idade militar, Ratzinger foi liberado da Flak e voltou para casa. Em Novembro do mesmo ano, Ratzinger se alistou no treinamento básico da infantaria alemã, mas por motivos de doença (não-divulgados) foi dispensado da maioria das obrigações militares severas.

Prisioneiro de guerra

Em abril de 1945, com a aproximação das forças aliadas, Ratzinger desertou do Exército e se dirigiu para sua casa em Traunstein. Quando os americanos finalmente chegaram a seu vilarejo, eles resolveram estabelecer um quartel-general na casa de Ratzinger, que foi identificado como um soldado alemão e preso num campo para prisioneiros de guerra.

Em Junho do mesmo ano foi libertado e voltou mais uma vez para sua casa em Traunstein, seguido por seu irmão Georg, em Julho. Em novembro, finalmente, Ratzinger e seu irmão retornaram ao seminário. Em 1947, Ratzinger entrou no Herzogliches Georgianum, instituto teológico associado à Universidade de Munique. Paralelamente, estudou filosofia e teologia na universidade de Munique e na Escola Superior de Freising.

No dia 29 de Junho de 1951, Ratzinger e seu irmão foram ordenados padres pelo cardeal Faulhaber de Munique na Catedral de Freising, durante a festa de São Pedro e São Paulo.

O escritor Dois anos depois, Ratzinger recebeu seu doutorado em teologia pela universidade de Munique. Em seguida, ele produziu seu primeiro trabalho importante: "Volk und Haus Gottes in Augustins Lehre von der Kirche" ("O povo e a Casa de Deus na doutrina de Santo Agostinho para a Igreja", em tradução livre).

Ratzinger dedicou seu "Habilitationsschrift" (tese de pós-doutorado) para a história da teologia.
Em 15 de abril de 1959, Ratzinger começou a lecionar como professor titular de teologia na universidade de Bonn, onde permaneceu até 1969, e na universidade de Munster (de 1963 a 1966).

Ratzinger perdeu o pai em 1959. Quatro anos depois, sua mãe.

Em 1966, já bastante conhecido, conseguiu uma cadeira em teologia dogmática na universidade de Tubingen, onde sua indicação foi fortemente apoiada e defendida pelo teólogo suíço Hans Küng. Ratzinger continuava convicto sobre sua visão tradicionalista apesar da atmosfera liberal de Tübingen, no Estado de Baden-Württemberg, e da tendência marxista do movimento estudantil nos anos 60.

Três anos mais tarde, ele retornou para a Baviera e foi para a Universidade de Regensburg, onde foi professor de teologia dogmática e de história do dogma, além de vice-presidente e reitor da universidade. Posteriormente transformou-se em conselheiro teológico dos bispos alemães.
Joseph Ratzinger, na época em que lecionava na Universidade de Regensburg
(Setembro de 1965)

Em 1972, Ratzinger fundou o jornal trimestral teológico "Communio" com os teólogos Hans Urs von Balthasar [suíço] e Henri de Lubac (1896-1991, francês), entre outros. "Communio", agora publicado em alemão, inglês e espanhol, tornou-se um dos mais importantes jornais do pensamento católico.

Cinco anos depois, em março de 1977, Paulo VI elegeu Ratzinger arcebispo de Munique e Freising e, em maio, foi consagrado o primeiro padre diocesano a conquistar o Ministério Pastoral da Grande Diocese da Baviera.

O papa Paulo VI também nomeou Ratzinger cardeal no consistório [assembléia de cardeais presidida pelo sumo pontífice], em 27 de junho de 1977. Depois disso, ele e se tornou bispo de Velletri-Segni e Ostia —que tradicionalmente é a "ante-sala" para o trono do papado.

Em 25 de novembro de 1981, o papa João Paulo II nomeou Ratzinger encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé, anteriormente conhecida como Tribunal da Santa Inquisição, que foi renomeado em 1908 pelo papa Pio X. Ele também presidiu as comissões bíblica e pontifícia internacional teológica.

O primeiro papa eleito no 3º milénio cristão chama-se Bento XVI. Ele será o pastor de mais de um bilhão de católicos; e o resto da humanidade espera que ele seja o pai comum e a referência para todas as causas boas e justas. Após a morte de João Paulo II, impressionou ouvir de autoridades públicas, dos homens da cultura, dos representantes de Igrejas e religiões o desejo que o novo papa continue a estimular o diálogo entre todos e a convivência solidária entre os membros da grande família humana.

A globalização da solidariedade precisa ser agora aprofundada, para marcar sempre mais as estruturas sociais, as políticas públicas e as relações internacionais. A paz entre os povos será assegurada somente quando houver verdadeira justiça na convivência entre as pessoas e organizações da sociedade e entre os povos. Os pobres do mundo precisam ser acolhidos à mesa do bem comum.

Aqueles que não contam nas reuniões dos poderosos da Terra esperam que a Igreja seja sua advogada. As grandes questões da ordem mundial estão a merecer uma nova palavra do Magistério Social da Igreja. Organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio, as instituições financeiras e os mecanismos econômicos precisam ser profundamente remodelados.

Por outro lado, o novo papa tem diante de si as questões éticas novas levantadas pelo progresso científico e pelas novas tecnologias. Não sendo contra o progresso da ciência, a voz da Igreja, no entanto, não poderá deixar de se fazer ouvir na defesa da pessoa humana, de sua inalienável dignidade e do respeito pleno à sua vida.

Outra questão da maior relevância para a missão da Igreja é o diálogo com as culturas e a inculturação da fé. Os novos recursos da comunicação e os horizontes desconfinados abertos pela informática estão forjando um novo tipo de cultura e de relações entre pessoas e povos. Além disso, no mundo globalizado, muitas vezes caracterizado pela exacerbação da subjetividade e da individualidade, as referências comunitárias da cultura e das relações humanas são cada vez mais relativizadas. A Igreja precisa permear a nova cultura com o fermento do Evangelho.

Não há dúvida que a revolução sexual das últimas décadas mudou comportamentos, redimensionou as relações sociais e colocou em crise a instituição familiar. Por sua vez, a ascensão social, cultural, econômica e política da mulher é um fenômeno da maior relevância para a sociedade e para a Igreja. A metade feminina da humanidade foi, tradicionalmente, a reserva moral e espiritual da Igreja e sua parte mais generosa. Esta constatação não pode ser subestimada na maneira como a Igreja se posiciona em relação à nova situação da mulher na sociedade.

Há também o desafio missionário, que João Paulo II já colocou em evidência com tanta ênfase. Na Europa, cansada de racionalismo e materialismo, trata-se de reavivar a fé. Na América Latina, tão religiosa, mas exposta aos ventos fundamentalistas e aos grupos sectários é preciso aprofundar as raízes cristãs católicas. Trata-se também de fazer uma decidida opção pela África, continente esquecido e abandonado à sua sorte, depois de sido explorado por séculos. Trata-se, enfim, de olhar, com o coração de Cristo missionário, para a grande Ásia das culturas e religiões milenares, onde vive mais da metade da população mundial; lá o cristianismo ainda está pouco presente, mas é lá que se jogará o futuro estratégico da humanidade!

O novo papa, enfim, tem diante de si o desafio do diálogo entre todas as religiões, para ajudá-las a perceberem melhor seu papel em relação ao bem da humanidade e à glória do Deus vivo; há que persistir pacientemente no caminho do ecumenismo e da superação das divisões entre os cristãos para que, todos juntos, possam dar um testemunho mais crível do Evangelho; mais que nunca, a união dos cristãos é importante para a realização da missão comum recebida de Cristo.

Agora que o novo papa já foi eleito, é hora de rezar intensamente para que o Espírito Santo o ilumine, oriente e fortaleça na sua missão. E para que a Igreja inteira se deixe contagiar por Bento XVI; como seu nome sugere, ele seja uma bênção para a Igreja e a humanidade.

São Paulo, 19/04/2005
Dom Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral da CNBB
publicado por Admin às 13:29
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